Seminário Resíduos Sólidos e Educação Ambiental

O evento debateu as principais convergências e contradições entre essas políticas públicas e possibilitou a troca de experiências de iniciativas no tema.

 

Com mais de 1400 participantes inscritos, o Seminário Estadual de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos e Educação Ambiental, realizado dias 22 e 23 de agosto, teve início com uma mesa de abertura, em que estavam presentes representantes de diversos organizações, como o pró-reitor de Extensão da UFPA, Nelson José Junior, representando o Magnifico Reitor da instituição; o pesquisador e membro do Conselho Gestor do Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento, Thomas Mitschein; a representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), presidente da Associação Cidadania para Todos e da Rede Recicla Pará, Maria Trindade  Araújo; a coordenadora do Grupo de Estudo em Educação, Cultura e Meio Ambiente (GEAM), Marilena Loureiro; o procurador do Ministério Público do Pará, José Godofredo Santos; e membro da Rede Paraense de Educação Ambiental (REDEPEA), Fidélis Martins.

Ao iniciar as falas dos componentes da mesa, houve o lançamento do Grupo de Trabalho Resíduos Sólidos e Educação Ambiental, vinculado à Rede Paraense de Educação Ambiental (Rede PAEA). O GT foi formado em junho deste ano, conforme reuniões organizativas, com o objetivo de discutir e propor ações e debates sobre a transversalidade da educação ambiental na Política Nacional de Resíduos Sólidos. ​

Os participantes da mesa de abertura falaram sobre a importância de se discutir de forma interdisciplinar e integrada a temática proposta no seminário, levando em consideração as experiências e ações já realizadas por uma rede significativa de pessoas, que trabalham em prol de uma sociedade mais sustentável, a partir da gestão integrada dos resíduos sólidos e da educação ambiental.

O pró-reitor de Extensão, Nelson Junior, disse que a Universidade pública provêm da sociedade, portanto, precisa olhar para ela e dela se aproximar, pois em si, as instituições de ensino, pesquisa e extensão superiores, não podem propor questões férteis, consistentes e contemporâneas.

“Precisamos construir um novo paradigma, um novo modelo. É precisamente na geração e elaboração difícil desse modelo que nós estamos agora empenhados. Esforços como este seminário revelam que nós estamos abertos aos problemas do meio ambiente. Essa temática deve residir em cada um e nós aqui tentaremos operar e produzir sínteses interessante, com os nossos aportes conceituais, metodológicos, nossos projetos de extensão e de pesquisa. Ficamos contentes de perceber que esse tema, infinitamente explorável, conduzirá nossos passos daqui para frente”, afirma Nelson.

Desfile de moda sustentável é destaque na programação

 

A programação seguiu com o desfile “Cosmopolita” com peças e acessório de moda feitos a partir de materiais recicláveis. Os produtos foram idealizados pela designer, Jack Carvalho, com intervenções do artista plástico Raimar Cavalcante.  Além disso, no hall do Centro de Eventos houve a exposição da produção de diversos artesãos e artistas plásticos que trabalham a reciclagem ou reuso de materiais.

Mesa discute os desafios do Poder Público

 

Sustentabilidade e Gestão é tema de mesa de debate

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Na manhã do segundo dia, as atividades se iniciaram com a mesa “Gestão de Resíduos, Meio Ambiente e Sustentabilidade”, mediada por Lucas Aires, servidor da UFPA e membro da Rede PAEA, com a participação de Carlos Maneschy, ex-reitor da UFPA, e de Davi Lopes, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção Pará (ABES-PA).

​“Os termos Sustentabilidade e Educação Ambiental são conceitos que entendemos em teoria, uma grande parcela da população aceita, mas temos dificuldades em tirar a discussão do escopo teórico e fazer avançar para se tornar um pacto gerencial prático”, disparou Maneschy.

​Para o engenheiro mecânico o Desenvolvimento Sustentável está amparado em três pilares: Desenvolvimento Econômico, Justiça Social e Preservação e Sustentabilidade Ambiental. No que se refere à Justiça Social a sociedade brasileira e paraense ainda teria que caminhar muito, tendo em vista que a desigualdade social seria o início de grande parte das mazelas que vivemos.

​“No aspecto da Justiça Social temos uma enorme Desigualdade Educacional, não dar bases iguais de educação é desleal. Temos que entender, de uma vez por todas, que educação é insumo fundamental para formação de cidadania, sem isso não é possível discutir sustentabilidade ambiental, pois é um caminho estéril”, pontuou.

​Ao acreditar que comportamento e educação são conceitos conectados Maneschy considera não ser possível esperamos comportamento de primeiro mundo com educação de terceiro. Nesse contexto, é necessário pensar no consumo ético, consciente e sustentável em que exista um pacto de solidariedade para garantir inclusão social.

​O segundo momento da mesa teve a colaboração de Davi Lopes, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção Pará (ABES-PA) que, além de explicar as ações da ABES, dos passos para o Licenciamento Ambiental, também pontuou os principais gargalos da relação entre Educação Ambiental e o Saneamento na região amazônica.

​“Acredito que a Educação Ambiental é primazia no saneamento, ao internalizarmos isso temos que compreender que sem mobilização social não tem educação ambiental”, afirmou. Para Davi a criação do Observatório de Saneamento e posteriormente do Conselho Estadual de Saneamento seria um caminho viável para integrar a gestão pública/privada às demandas da população.

Conflitos e Convergências entre as Políticas de Resíduos Sólidos e Educação Ambiental é tema debatido por mesa

 

Às 11h30 teve início o debate sobre “Políticas Nacionais de Resíduos Sólidos e Educação Ambiental: transversalidade, aspectos comuns e conflitos”, mediado por Maria Lúcia Ohana, com a presença dos professores Thomas Mitschein, Maria Ludetana, Fidelis Paixão e Mauricio Leal.

​O primeiro a contribuir foi o pesquisador do Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento (UFPA), membro da facilitação da Rede Paraense de Educação Ambiental e Conselheiro Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), Fidelis Paixão, que destacou a importância das Redes Sociais na contemporaneidade.

​“As Redes Sociais têm o poder e a capacidade de mobilização muito forte, conseguimos de uma forma não hierarquizada conectar diferentes atividades para gerar sinergia e ações potencializadas. Esse Seminário que estamos vivendo agora é um exemplo prático disso que estou falando”, afirmou.

​Para o pesquisador, na relação com a gestão dos resíduos sólidos, a educação ambiental deve partir de uma visão sistêmica e contribuir com a construção de valores sociais e abordar as relações de produção e consumo do sistema econômico atual, pois ações pontuais ou desarticuladas podem contribuir de forma “ingênua” com a manutenção de um modelo social insustentável, baseado no consumo pelo prazer e não pela estrita necessidade. Além disso, a educação ambiental deve ser encarada como um campo de conhecimento que articule o saber e o fazer de forma crítica, fortalecendo identidades, e não um fim em si mesma.

​Já o coordenador do Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento, Thomas Mitschein, apresentou o cenário do lixão da cidade de Bragança, para mostrar que os problemas com a implementação da Lei dos Resíduos Sólidos não é algo distante da realidade do Estado do Pará.

​“Estou convencido de que uma Educação Ambiental que quer copiar as formas pedagógicas elaboradas nos países do hemisfério norte da década de 1970 está fadada ao fracasso. Temos que pensar a nossa realidade”.

​Mauricio Leal, professor da Faculdade de Direito da UFPA, falou sobre o direito urbanístico e o direito a cidade e da necessidade de pensarmos numa gestão integrada como uma agenda mais global de ações relacionadas à Política Nacional de Resíduos Sólidos e à Educação Ambiental.

​A mesa foi encerrada com as contribuições de Maria Ludetana Araújo, professora da UFPA e uma das fundadoras do Grupo de Estudos em Educação, Cultura e Meio Ambiente (GEAM) que apresentou os desafios locais para a Educação Ambiental.

Compartilhamento de diversas experiências e iniciativas é o momento alto do Seminário

 

O encerramento do Seminário foi marcado pelo compartilhamento de 12 diferentes tipos de experiências em educação ambiental e gestão de resíduos sólidos de diferentes iniciativas institucionais no Estado do Pará.

​A mesa-redonda “Práticas de educação ambiental com gestão de resíduos sólidos: compartilhando experiências” contou com a participação de representantes da Secretaria de Assistência Social, Trabalho, emprego e Renda, Regina Macêdo; do Tribunal de Justiça do Pará, Evelise Rodrigues; da Embrapa, Hilma Couto; Museu Paraense Emílio Goeldi, Hilma Guedes; Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), presidente da Associação Cidadania para Todos e da Rede Recicla Pará, Maria Trindade  Araújo; Comissão da Coleta Seletiva da UFPA, Jaqueline Sarmento; Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis (CONCAVES), Jonas de Jesus; UFPA Castanhal, Yomara pires; Grupo de Estudos em Meio Ambiente e Sustentabilidade, Vanusa Santos; Universidade Federal Rural da Amazônia de Capitão Poço, Thaiza Comasseto; e da Secretaria de Estado de Educação, Emilly Silva.

​Os representantes de instituições de ensino, pesquisa, extensão e órgãos governamentais apresentaram experiências de ações exitosas que vêm desenvolvendo no âmbito da educação ambiental com gestão de resíduos sólidos.  De maneira clara, o público pode conhecer os mecanismos e ferramentas criadas por esses órgãos, aplicáveis na gestão dos resíduos não apenas internamente, mas também ampliando suas contribuições para a sociedade, em geral.

Durante as apresentações estiveram presentes os profissionais catadores associados da CONCAVES, que hoje conta com 60 associados, que retiram cerca de 100 toneladas de materiais recicláveis das ruas de Belém. O Presidente da Associação, Jonas de Jesus, chamou a atenção para a forma como a sociedade está lidando com os resíduos que produzem no dia a dia. “Fazer coleta seletiva de lixo é mais do que um ato de cidadania é um ato de sobrevivência”, afirma.

Plenária da Rede aprova criação de novo Grupo de Trabalho

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A Plenária da REDEPAEA, que encerrou o evento, aprovou o Grupo de Trabalho “Modelagem Matemática e Educação Ambiental”, que será coordenado pela professora da Universidade Federal Rural da Amazônia, campus Capanema, Neuma Teixeira dos Santos e pelo servidor do UFPA, Reginaldo Trindade.

​De acordo com a professora, a proposta do GT surgiu no III EPAEA – Encontro Paraense de Educação Ambiental, que ocorreu em junho deste ano. “Eu já desenvolvo atividades em educação ambiental na UFRA em Capanema, um projeto em parceria com o SIPAM desde 2013, no qual faço monitoramento de manguezais na Região Bragantina. Atualmente coordeno um grupo de estudantes da UFRA, que trabalham com geoprocessamento como recurso didático, voltado para a educação ambiental. A partir disso seria interessante coordenador esse GT em Capanema e, posteriormente, ampliá-lo”, conclui Neuma.

Texto produzido com apoio da equipe de comunicação do Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento (UFPA).

Baixe aqui as apresentações disponibilizadas pelos diversos palestrantes do evento.

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